{"id":1148,"date":"2021-03-09T13:32:23","date_gmt":"2021-03-09T13:32:23","guid":{"rendered":"https:\/\/aprovacao.website\/novoaprado\/?p=1148"},"modified":"2021-03-09T13:32:23","modified_gmt":"2021-03-09T13:32:23","slug":"perdas-e-ganhos-das-franquias-na-pandemia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprovacao.website\/novoaprado\/2021\/03\/09\/perdas-e-ganhos-das-franquias-na-pandemia-2\/","title":{"rendered":"Perdas e ganhos das franquias na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Reading Time: 5 minutes<br \/>\nPor Melitha Novoa Prado*<\/p>\n<p>Com boa parte de suas opera\u00e7\u00f5es instaladas em shoppings centers, as franqueadoras brasileiras viram-se em situa\u00e7\u00e3o alarmante na pandemia. Muitas marcas dependiam exclusivamente deste canal de distribui\u00e7\u00e3o e sofreram duras perdas em faturamento. Conforme dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Franchising (ABF), entidade que congrega o setor, a queda m\u00e9dia do faturamento das franquias foi de 48,2% em abril; 41% em maio e 30,1% em junho.<\/p>\n<p>Com quase 50% a menos de faturamento \u2013 deve-se lembrar que esse n\u00famero reflete uma m\u00e9dia do setor e que tamb\u00e9m leva em conta as opera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sofreram com a pandemia e as que at\u00e9 lucraram com este momento e, portanto, algumas redes podem ter perdido muito mais que metade de seus ganhos \u2013 , n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar-se que as franquias demitiram pessoas, fecharam opera\u00e7\u00f5es e suspenderam rela\u00e7\u00f5es com fornecedores. O encadeamento de empresas envolvidas numa crise sempre \u00e9 grande e, quando um setor \u00e9 duramente atingido, a situa\u00e7\u00e3o reflete-se em fornecedores e prestadores de servi\u00e7os, que perdem clientes.<\/p>\n<p>Assim, de consultorias, escrit\u00f3rios de design e arquitetura, advogados, ag\u00eancias de marketing e comunica\u00e7\u00e3o, gr\u00e1ficas, empresas de embalagem e descart\u00e1veis, por exemplo, a fornecedores de mat\u00e9ria-prima e ind\u00fastrias foram prejudicados com o fechamento dos shoppings e das franquias.<\/p>\n<p>Quem acompanha o Franchising desde o seu come\u00e7o jamais viu uma crise como esta. Passaram-se governos e trocaram-se moedas, o sistema teve seu boom, nos anos de 1990, com desaquecimentos e reaquecimentos em diversos per\u00edodos, tendo que se reinventar, por muitas vezes, mas jamais foi impedido de receber seus consumidores.<\/p>\n<p>E quais foram os aprendizados das redes, ap\u00f3s todo o caos?<\/p>\n<p>Nunca foi preciso agir t\u00e3o r\u00e1pido para sobreviver. Algumas marcas conseguiram. Outras, demoraram. Houve aquelas que pareciam j\u00e1 estar preparadas. E pode haver quem ainda nem se deu conta de onde veio a onda que o atingiu.<\/p>\n<p>Analisando a situa\u00e7\u00e3o hoje, quase seis meses depois do in\u00edcio da pandemia, que imagin\u00e1vamos que duraria dois meses, no m\u00e1ximo, j\u00e1 conseguimos tirar algumas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 que alguns setores souberam aproveitar a crise para ganhar dinheiro. Quem trabalhava com delivery, por exemplo, viu no decorrer da pandemia uma situa\u00e7\u00e3o bastante prop\u00edcia: em casa, sem poder sair, s\u00f3 restava \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pedir comida e tentar, assim, reduzir o impacto do isolamento social. Para se ter ideia, uma pesquisa realizada pela Mobills, startup de gest\u00e3o de finan\u00e7as pessoais, mostrou que as vendas por delivery cresceram quase 95% entre janeiro e maio deste ano, em compara\u00e7\u00e3o aos mesmos meses do ano passado. O pico de crescimento se deu a partir de maio, quando o consumidor percebeu que, realmente, ficaria em casa, e quando sentiu menos medo da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, segundo os analistas da pesquisa.<\/p>\n<p>Redes que n\u00e3o trabalhavam com delivery ou que viam nesta modalidade apenas um complemento para sua opera\u00e7\u00e3o passaram a ter nela a principal atividade do neg\u00f3cio. A Amor aos Peda\u00e7os, tradicional franqueadora a operar em shoppings, j\u00e1 dispunha de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e delivery, mas com pequena participa\u00e7\u00e3o em seu faturamento. Na pandemia, passou a trabalhar fortemente com entregas. Essa n\u00e3o foi a \u00fanica mudan\u00e7a na marca: a franqueadora tamb\u00e9m criou kits especiais para pequenas comemora\u00e7\u00f5es em casa, apenas com o n\u00facleo familiar. Se, antes, os kits continham quantidade de alimentos suficientes para dez pessoas, agora as \u2018festas\u2019 passaram a atender de dois a quatro comensais. Bolos menores, menos doces \u2013 mas sem perder o cliente.<\/p>\n<p>E diversas outras marcas fizeram o mesmo. Surgiu o delivery de roupas, cosm\u00e9ticos, aparelhos eletr\u00f4nicos. Nunca se entregou tanta coisa \u2013 e essa tend\u00eancia pode nunca mais desaparecer das redes franqueadoras.<\/p>\n<p>E quem n\u00e3o tinha loja virtual, como ficou? Certamente, perdeu muito. No franchising, houve certo receio, por parte de algumas franqueadoras, de n\u00e3o ter e-commerce, de forma a n\u00e3o concorrer com as lojas f\u00edsicas. A dificuldade de repassar as vendas para as unidades franqueadas ou de fazer com que esse canal de distribui\u00e7\u00e3o de produtos entendesse que as vendas virtuais s\u00e3o outro canal, independente, adiou a decis\u00e3o de empres\u00e1rios de implantar o e-commerce. E, na pandemia, muitos deixaram de ganhar. Essa perda fez com que in\u00fameras marcas repensassem seus canais de distribui\u00e7\u00e3o, criando novas pol\u00edticas para conseguirem relacionar-se melhor com a quest\u00e3o, sem perder novos clientes e oportunidades.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos setores, quem perdeu e quem ganhou? Em Constru\u00e7\u00e3o, vimos n\u00fameros expressivos. Para se ter ideia, a Pinta Mundi Tintas, uma pequena franqueadora de lojas de tintas, com cerca de 30 unidades franqueadas, viu a meta de faturamento de suas lojas ser batida nos meses de maio, junho e julho, tendo em julho um incremento de 122%. O franqueador atribuiu o feito \u00e0s obras realizadas pelas pessoas que se encontram em home office: com mais tempo em casa, pintar os ambientes tornou-se importante para o bem-estar familiar e as reformas dom\u00e9sticas cresceram na pandemia.<\/p>\n<p>J\u00e1 as escolas, de modo geral, viraram-se como puderam. A maioria delas investiu pesado na manuten\u00e7\u00e3o de seus alunos por meio de cursos online, j\u00e1 que as aulas presenciais foram suspensas. Houve muitas perdas, especialmente para os cursos de idiomas, que sofrem paralelamente ao desemprego, quando o aluno corta a despesa extra.<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gias interessantes foram criadas: uma rede de ensino profissionalizante do interior de S\u00e3o Paulo, a MicroPro Desenvolvimento Profissional e Comportamental, com 38 unidades franqueadas, doou 1.000 bolsas para um curso EAD, de forma a atrair mais aten\u00e7\u00e3o para sua marca. O sucesso da campanha fez com que, agora, a franqueadora criasse outro curso e o disponibilizasse para jovens e seus familiares, ampliando o n\u00famero de bolsas para 10 mil.<\/p>\n<p>Desta forma, al\u00e9m de manter alunos ligados \u00e0 marca, est\u00e1 atraindo quem n\u00e3o a conhece, de forma a ter aten\u00e7\u00e3o de potenciais novos alunos. Mas, isso s\u00f3 foi poss\u00edvel a partir de uma plataforma de ensino online j\u00e1 estruturada antes da pandemia, que permitiu que a empresa operasse no sistema de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>As prestadoras de servi\u00e7os tamb\u00e9m obtiveram perdas e ganhos. As lavanderias foram bastante atingidas porque, em casa, n\u00e3o houve grande necessidade de usarem-se roupas que o brasileiro costuma lavar neste tipo de estabelecimento \u2013 e o movimento caiu. Entrar nas resid\u00eancias e nas empresas dos clientes n\u00e3o foi tarefa f\u00e1cil, diante da necessidade do isolamento social e do medo da contamina\u00e7\u00e3o por coronav\u00edrus, ent\u00e3o, as redes que prestam servi\u00e7os dom\u00e9sticos precisaram reinventar-se. A Jan-Pro, por exemplo, adaptou seus servi\u00e7os de limpeza profissionais para atender empresas que precisam justamente de ambientes mais limpos e livres de infec\u00e7\u00f5es. Apostando neste nicho, conseguiu manter suas franquias em atividade. Mais uma vez, a rapidez e a estrat\u00e9gia de se pensar em rede salvou um neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A pandemia fez com que franqueadores e franqueados pudessem sentir, definitivamente, que fazer parte de uma rede pode ser determinante para o sucesso ou o fracasso de um neg\u00f3cio. As marcas mais estruturadas conseguiram agir rapidamente, reverter a situa\u00e7\u00e3o, estrategicamente, e sobreviver ao caos.<\/p>\n<p>Algumas j\u00e1 vinham se estruturando para atuar no ambiente virtual \u2013 fosse ele com aulas EAD ou e-commerce \u2013 e puderam ter nesse investimento a salva\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. Outras tiveram caixa para implantar estrat\u00e9gias que garantiram a sobreviv\u00eancia da marca, enquanto houve aquelas que apostaram na criatividade e no poder de adapta\u00e7\u00e3o para n\u00e3o quebrar. Certamente, foi infinitamente mais dif\u00edcil para quem n\u00e3o faz parte de uma rede e teve que pensar e agir sozinho, sem respaldo de uma equipe, uma marca consolidada.<\/p>\n<p>Por fim, acredito que tanto a grande perda quanto o grande ganho da pandemia, para as franqueadoras, deu-se no relacionamento do franqueador com sua rede franqueada e dos franqueados, entre si.<\/p>\n<p>Falando-se primeiro em perdas, se pensarmos nas marcas que n\u00e3o investiram em formar uma base relacional s\u00e9ria, s\u00f3lida e extremamente transparente com seus franqueados, n\u00e3o vejo como elas sobreviver\u00e3o sem sequelas a esta pandemia e \u00e0 crise. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que, no caos, n\u00fameros maquiados fiquem escondidos, relacionamento ruim com fornecedores n\u00e3o seja ainda mais prejudicado e desonestidade com o mercado e com o consumidor fique acobertada. Portanto, infelizmente, quem faz (ou fazia) parte de uma marca que pratique alguma inconsist\u00eancia dificilmente salvou seu neg\u00f3cio ou ter\u00e1 sucesso, daqui para a frente. E o relacionamento entre o franqueador que n\u00e3o oferece boas pr\u00e1ticas com sua rede n\u00e3o tem chances, depois de todos os acontecimentos que vivemos.<\/p>\n<p>J\u00e1 os ganhos das redes que praticam o Franchising Consciente podem ser fortalecedores para a marca. \u00c9 ilus\u00f3rio achar que a pandemia n\u00e3o deixar\u00e1 sequelas, ainda que m\u00ednimas, nos empreendedores. Mas, presenciamos redes unidas, com franqueados ajudando-se, nas mais variadas frentes, e franqueadores apoiando seus parceiros em todos os aspectos. E, certamente, quem faz parte de uma rede busca esse tipo de relacionamento.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar quando (e se) o varejo voltar\u00e1 ao normal, como era antes. Como n\u00e3o conseguimos adivinhar o futuro, porque ele \u00e9 aleat\u00f3rio, precisamos pensar bem nas atitudes que tomamos, hoje, para nos prepararmos para os adventos que podem desestabilizar nossos projetos.<\/p>\n<p>*Melitha Novoa Prado \u00e9 s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Novoa Prado Advogados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reading Time: 5 minutes Por Melitha Novoa Prado* Com boa parte de suas opera\u00e7\u00f5es instaladas em shoppings centers, as franqueadoras brasileiras viram-se em situa\u00e7\u00e3o alarmante na pandemia. Muitas marcas dependiam exclusivamente deste canal de distribui\u00e7\u00e3o e sofreram duras perdas em faturamento. 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