{"id":952,"date":"2018-11-16T13:50:10","date_gmt":"2018-11-16T15:50:10","guid":{"rendered":"https:\/\/aprovacao.website\/frk\/?p=952"},"modified":"2020-04-29T16:47:27","modified_gmt":"2020-04-29T19:47:27","slug":"clausulas-de-impenhorabilidade-ou-incomunicabilidade-nao-impedem-alienacao-de-bem-doado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprovacao.website\/frk\/clausulas-de-impenhorabilidade-ou-incomunicabilidade-nao-impedem-alienacao-de-bem-doado\/","title":{"rendered":"Cl\u00e1usulas de impenhorabilidade ou incomunicabilidade n\u00e3o impedem aliena\u00e7\u00e3o de bem doado"},"content":{"rendered":"<div class=\"postagem\">\n<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a exist\u00eancia de cl\u00e1usula de impenhorabilidade ou de incomunicabilidade em doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel n\u00e3o implica automaticamente que o bem n\u00e3o possa ser alienado.<\/p>\n<p>De forma un\u00e2nime, o colegiado entendeu que a melhor interpreta\u00e7\u00e3o a ser dada ao caput do artigo 1.911 do C\u00f3digo Civil de 2002 \u00e9 a de que \u00e9 poss\u00edvel a imposi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma das cl\u00e1usulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade, a crit\u00e9rio do doador.<\/p>\n<p>O recurso analisado foi interposto contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais (TJMG) que negou pedido de benefici\u00e1ria de doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel interessada em registrar sua transfer\u00eancia a terceiro.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte da doadora do im\u00f3vel, a benefici\u00e1ria vendeu o bem, mas n\u00e3o conseguiu registrar a transfer\u00eancia no cart\u00f3rio, o qual exigiu a baixa dos gravames de impenhorabilidade e incomunicabilidade que constavam da doa\u00e7\u00e3o. Considerando que essas cl\u00e1usulas s\u00f3 poderiam ser canceladas por ordem judicial, em raz\u00e3o da morte da doadora, a benefici\u00e1ria pediu a baixa dos gravames, alegando a inexist\u00eancia de cl\u00e1usula de inalienabilidade.<\/p>\n<p>O TJMG afirmou que, segundo as regras institu\u00eddas originalmente pelo artigo 1.676 do CC\/1916, e mantidas em sua ess\u00eancia no novo C\u00f3digo Civil (artigo 1.911), as cl\u00e1usulas restritivas de propriedade n\u00e3o se extinguem com a morte do doador, com exce\u00e7\u00e3o do usufruto vital\u00edcio, cuja vig\u00eancia est\u00e1 adstrita ao per\u00edodo de vida do benefici\u00e1rio doador.<\/p>\n<p>Ao apresentar recurso ao STJ, a recorrente alegou que o im\u00f3vel doado somente foi gravado com a impenhorabilidade e a incomunicabilidade, de modo que n\u00e3o haveria \u00f3bice legal para sua aliena\u00e7\u00e3o a terceiros.<\/p>\n<h4 class=\"titulo\">Cl\u00e1usulas aut\u00f4nomas<\/h4>\n<p>O relator, ministro Marco Buzzi, explicou que a interpreta\u00e7\u00e3o do caput do artigo 1.911 do C\u00f3digo Civil leva \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel a imposi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma das cl\u00e1usulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade, a crit\u00e9rio do doador ou instituidor do bem.<\/p>\n<p>Segundo Buzzi, diante do gravame da inalienabilidade, pressup\u00f5e-se, automaticamente, a impenhorabilidade e a incomunicabilidade. Por\u00e9m, de acordo com o ministro, a inser\u00e7\u00e3o exclusiva da proibi\u00e7\u00e3o de penhorar ou comunicar n\u00e3o gera a presun\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da inalienabilidade.<\/p>\n<p>\u201cPartindo-se da simples leitura do artigo de lei j\u00e1 acima mencionado, depreende-se que o legislador estabeleceu apenas um comando, isto \u00e9, que a imposi\u00e7\u00e3o da inalienabilidade presume a impenhorabilidade e incomunicabilidade. Em outras palavras, a lei <a href=\"https:\/\/aprovacao.website\/frk\/direito-civil\/\">civil<\/a> n\u00e3o estabeleceu, prima facie, que a impenhorabilidade ou a incomunicabilidade, gravadas de forma aut\u00f4noma, importaria na inalienabilidade\u201d, disse ele.<br \/>\nDe acordo com o relator,<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201csendo a inalienabilidade de maior amplitude, \u00e9 decorr\u00eancia natural que implique a proibi\u00e7\u00e3o de penhorar e comunicar, tudo isso seguindo a l\u00f3gica da antiga m\u00e1xima de que in eo quod plus est semper inest et minus (quem pode o mais, pode o menos). Por\u00e9m, o contr\u00e1rio n\u00e3o se verifica. A impenhorabilidade e a incomunicabilidade possuem objetos mais limitados, espec\u00edficos. A primeira se volta t\u00e3o somente para os credores e a segunda imp\u00f5e-se ao c\u00f4njuge do benefici\u00e1rio (donat\u00e1rio ou herdeiro)\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O ministro analisou o caso a partir de li\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias e afirmou ser poss\u00edvel \u201cconcluir pela possibilidade de aliena\u00e7\u00e3o do bem gravado somente com as cl\u00e1usulas de impenhorabilidade e\/ou incomunicabilidade sem necessidade de sub-roga\u00e7\u00e3o do produto da venda\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"titulo\">Caso concreto<\/h4>\n<p>Ao dar provimento ao recurso, Marco Buzzi considerou n\u00e3o ser poss\u00edvel falar em inalienabilidade do im\u00f3vel gravado exclusivamente com as cl\u00e1usulas de impenhorabilidade e incomunicabilidade.<\/p>\n<p>Assim, o relator acolheu o pedido da recorrente e declarou que a aposi\u00e7\u00e3o somente das cl\u00e1usulas de incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre o im\u00f3vel n\u00e3o impede a sua aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cSegundo a dire\u00e7\u00e3o tra\u00e7ada pelas t\u00e9cnicas de hermen\u00eautica jur\u00eddica aplicadas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do artigo 1.911 do C\u00f3digo Civil de 2002, reconhece-se perfeitamente poss\u00edvel a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel objeto do presente debate, porquanto somente onerado com a proibi\u00e7\u00e3o de penhorar e comunicar\u201d,<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>afirmou.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fonte\">\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/aplicacao.aasp.org.br\/aasp\/imprensa\/clipping\/cli_noticia.asp?idnot=27950\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/aplicacao.aasp.org.br\/aasp\/imprensa\/clipping\/cli_noticia.asp?idnot=27950<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a exist\u00eancia de cl\u00e1usula de impenhorabilidade ou de incomunicabilidade em doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel n\u00e3o implica automaticamente que o bem n\u00e3o possa ser alienado. 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