{"id":296,"date":"2023-04-05T14:43:58","date_gmt":"2023-04-05T14:43:58","guid":{"rendered":"https:\/\/aprovacao.website\/botanica\/?p=296"},"modified":"2023-04-05T15:12:15","modified_gmt":"2023-04-05T15:12:15","slug":"absinto-glamur-dependencia-loucura-e-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprovacao.website\/botanica\/2023\/04\/05\/absinto-glamur-dependencia-loucura-e-morte\/","title":{"rendered":"Absinto: glamur, depend\u00eancia,  loucura e morte"},"content":{"rendered":"<p>Autor: Ant\u00f4nio Salatino Ano: 2008<\/p>\n<div>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vincent van Gogh, um dos mais geniais e conhecidos pintores de todos os tempos, tamb\u00e9m \u00e9 famoso devido a dois atos tresloucados: decepou uma das orelhas e se matou com um tiro. \u00c9 bem prov\u00e1vel que ele tivesse propens\u00f5es pr\u00f3prias a desvios da conduta normal. Mas h\u00e1 fortes ind\u00edcios de que o artista tenha se tornado uma das numerosas v\u00edtimas do\u00a0<strong>absintismo<\/strong>, um mal caracterizado por surtos de alucina\u00e7\u00f5es visuais e auditivas, psicoses, ins\u00f4nia, convuls\u00f5es semelhantes \u00e0 epilepsia e paralisia. O absintismo provavelmente colaborou para levar Gogh \u00e0 loucura.<\/p>\n<figure id=\"attachment_298\" aria-describedby=\"caption-attachment-298\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-298 size-full\" style=\"color: #555555;\" src=\"https:\/\/aprovacao.website\/botanica\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3_reduz.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"347\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-298\" class=\"wp-caption-text\">Edgar Degas &#8211; O absinto (1876) &#8211; Fonte: coresprimarias<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A doen\u00e7a era causada pelo consumo abusivo de absinto, uma bebida alco\u00f3lica que continha \u00f3leo das folhas e flores de <em>Artemisia absinthium<\/em>, planta conhecida em portugu\u00eas com o nome comum de losna, usada h\u00e1 milhares de anos para expulsar vermes intestinais. Da\u00ed o seu nome ingl\u00eas,\u00a0<em>wormwood.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Embora a efic\u00e1cia verm\u00edfuga do \u00f3leo de losna seja cientificamente duvidosa, atribui-se \u00e0 <strong>tuiona<\/strong> (o principal componente do \u00f3leo) a sua a\u00e7\u00e3o. O \u00f3leo \u00e9 agradavelmente arom\u00e1tico, devido \u00e0 presen\u00e7a de tuiona e outros componentes vol\u00e1teis, mas possui tamb\u00e9m outras subst\u00e2ncias. Algumas delas fazem da losna uma das plantas mais amargas que se conhece. Al\u00e9m de losna, v\u00e1rias outras plantas eram usadas para produzir absinto, entre elas o anis e a melissa. No final, resultava uma bebida contendo algo em torno de 70% de \u00e1lcool.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<\/div>\n\t<section class=\"section\" id=\"section_9799803\">\n\t\t<div class=\"bg section-bg fill bg-fill  bg-loaded\" >\n\n\t\t\t\n\t\t\t\n\t\t\t\n\n\t\t<\/div>\n\n\t\t<div class=\"section-content relative\">\n\t\t\t\n<div class=\"container section-title-container\" ><h3 class=\"section-title section-title-center\"><b><\/b><span class=\"section-title-main\" >A HORA VERDE<\/span><b><\/b><\/h3><\/div>\n<div class=\"row\"  id=\"row-2023769782\">\n\n\t<div class=\"col small-12 large-12\"  >\n\t\t<div class=\"col-inner\"  >\n\t\t\t\n\t\t\t\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-299 alignleft\" src=\"https:\/\/aprovacao.website\/botanica\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5_reduz.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"166\" \/>Acredita-se que o h\u00e1bito de consumir absinto tenha se expandido na Fran\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 1840 por soldados regressos da guerra da Alg\u00e9ria, onde misturavam extrato de losna ao vinho para prevenir-se contra ataques febris. Da Fran\u00e7a, o h\u00e1bito passou a outros pa\u00edses europeus e Estados Unidos. Muitos artistas e pessoas bem situadas socialmente apreciavam a bebida, que traria est\u00edmulo criativo e mental, al\u00e9m de propiciar (segundo os apreciadores) novas experi\u00eancias ps\u00edquicas. Em Paris, o h\u00e1bito de preparar e degustar a bebida nas mesas dos caf\u00e9s ficou conhecida como l\u00b4heure verte (\u201ca hora verde\u201d). Uma dose de absinto era colocada pelo gar\u00e7om num copo e apoiava-se sobre ele uma colher plana e perfurada, na qual se colocava um cubo de a\u00e7\u00facar. Adicionava-se ent\u00e3o \u00e1gua fria. O a\u00e7\u00facar revertia o sabor amargo desagrad\u00e1vel e, como m\u00e1gica, a \u00e1gua transformava o absinto, de um verde cristalino, a um dourado leitoso. A colher, o cubo de a\u00e7\u00facar e o acr\u00e9scimo de \u00e1gua eram partes importantes da m\u00edstica e charme da \u201chora verde\u201d. Artistas celebrizaram o ritual em telas hoje valios\u00edssimas. Entre os pintores mais conhecidos, incluem-se Manet, Degas, Toulouse-Lautrec (que retratou Gogh diante de uma ta\u00e7a de absinto), Rafaelli e Picasso. N\u00e3o v\u00ea essa imagem? Ent\u00e3o clique aqui com bot\u00e3o direito do mouse e depois em Mostrar Imagem.<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n\n\t\n<\/div>\n\t\t<\/div>\n\n\t\t\n<style scope=\"scope\">\n\n#section_9799803 {\n  padding-top: 30px;\n  padding-bottom: 30px;\n}\n<\/style>\n\t<\/section>\n\t\n\t<section class=\"section\" id=\"section_1352933952\">\n\t\t<div class=\"bg section-bg fill bg-fill  bg-loaded\" >\n\n\t\t\t\n\t\t\t\n\t\t\t\n\n\t\t<\/div>\n\n\t\t<div class=\"section-content relative\">\n\t\t\t\n<div class=\"container section-title-container\" ><h3 class=\"section-title section-title-center\"><b><\/b><span class=\"section-title-main\" >CONDENA\u00c7\u00c3O E BANIMENTO<\/span><b><\/b><\/h3><\/div>\n<div class=\"row\"  id=\"row-764979179\">\n\n\t<div class=\"col small-12 large-12\"  >\n\t\t<div class=\"col-inner\"  >\n\t\t\t\n\t\t\t\n<p style=\"font-weight: 400;\">Embora o \u00e1lcool tamb\u00e9m exercesse efeitos danosos ao c\u00e9rebro, experimentos cuidadosos provaram, j\u00e1 naquela \u00e9poca, que o \u00f3leo de losna \u00e9 o agente respons\u00e1vel pelos sintomas do absintismo. A tuiona foi isolada em 1900. Demonstrou-se que ela causa excita\u00e7\u00e3o do sistema nervoso aut\u00f4nomo, seguida<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">de inconsci\u00eancia e convuls\u00f5es. S\u00e3o efeitos parecidos aos da c\u00e2nfora, que possui estrutura qu\u00edmica semelhante. O absinto era tamb\u00e9m alucinog\u00eanico e provocava depend\u00eancia, tendo sido causa de muitas trag\u00e9dias. Na Inglaterra, sob o efeito do absinto, um cidad\u00e3o socialmente bem situado matou suas duas filhas, a esposa gr\u00e1vida e tentou o suic\u00eddio. Diante das evid\u00eancias sobre os malef\u00edcios que ele causava, o absinto foi banido em 1915. Produtores de absinto logo introduziram em seu lugar outras bebidas alco\u00f3licas arom\u00e1ticas, como o Pernod (dispon\u00edvel at\u00e9 hoje). A losna permaneceu como componente de algumas outras bebidas, como o vermute. A esse respeito, n\u00e3o deixa de ser sugestivo o nome da losna em alem\u00e3o:\u00a0<em>Wermut.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, sugeriu-se que a tuiona seria ativa sobre os mesmos receptores cerebrais do tetra-hidrocanabinol, o princ\u00edpio ativo da maconha. No entanto, verificou-se que a ativa\u00e7\u00e3o dos receptores canabin\u00f3ides pela tuiona \u00e9 muito fraca. Na verdade, experimentos publicados neste ano indicam que a tuiona \u00e9 um modulador do receptor tipo A do \u00e1cido gama-aminobut\u00edrico.<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n\n\t\n<\/div>\n\t\t<\/div>\n\n\t\t\n<style scope=\"scope\">\n\n#section_1352933952 {\n  padding-top: 30px;\n  padding-bottom: 30px;\n}\n<\/style>\n\t<\/section>\n\t\n\t<section class=\"section\" id=\"section_1423270485\">\n\t\t<div class=\"bg section-bg fill bg-fill  bg-loaded\" >\n\n\t\t\t\n\t\t\t\n\t\t\t\n\n\t\t<\/div>\n\n\t\t<div class=\"section-content relative\">\n\t\t\t\n<div class=\"container section-title-container\" ><h3 class=\"section-title section-title-center\"><b><\/b><span class=\"section-title-main\" >NOSTALGIA, INTERNET E NOVOS PROBLEMAS<\/span><b><\/b><\/h3><\/div>\n<div class=\"row\"  id=\"row-1868181963\">\n\n\t<div class=\"col small-12 large-12\"  >\n\t\t<div class=\"col-inner\"  >\n\t\t\t\n\t\t\t\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na Europa e Estados Unidos, vive-se de algum tempo para c\u00e1 um per\u00edodo de saudosismo, com uma revivesc\u00eancia da \u00e9poca vitoriana nas artes e costumes. Essa influ\u00eancia trouxe de volta o perigoso h\u00e1bito de render-se ao fasc\u00ednio do absinto. A tend\u00eancia atingiu at\u00e9 mesmo S\u00e3o Paulo, onde casas noturnas andaram colocando a disposi\u00e7\u00e3o dos freq\u00fcentadores uma bebida que, supostamente, seria o absinto. T\u00e3o temer\u00e1rio quanto o com\u00e9rcio de um produto banido h\u00e1 d\u00e9cadas pelos preju\u00edzos que indubitavelmente causa, \u00e9 a oferta via Internet de produtos ligados ao absinto. \u00d3leo de losna (<em>wormwood oil<\/em>) vem sendo comercializado pela rede, tendo-se registrado acidentes graves de intoxica\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos, um homem ingeriu\u00a010 cent\u00edmetros\u00a0c\u00fabicos do \u00f3leo adquirido via rede, supondo tratar-se de absinto. Foi hospitalizado com alucina\u00e7\u00f5es, convuls\u00f5es e crise renal aguda.<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n\n\t\n<\/div>\n\t\t<\/div>\n\n\t\t\n<style scope=\"scope\">\n\n#section_1423270485 {\n  padding-top: 30px;\n  padding-bottom: 30px;\n}\n<\/style>\n\t<\/section>\n\t\n\t<section class=\"section\" id=\"section_1737624172\">\n\t\t<div class=\"bg section-bg fill bg-fill  bg-loaded\" >\n\n\t\t\t\n\t\t\t\n\t\t\t\n\n\t\t<\/div>\n\n\t\t<div class=\"section-content relative\">\n\t\t\t\n<div class=\"container section-title-container\" ><h3 class=\"section-title section-title-center\"><b><\/b><span class=\"section-title-main\" >IRONIA<\/span><b><\/b><\/h3><\/div>\n<div class=\"row\"  id=\"row-513193618\">\n\n\t<div class=\"col small-12 large-12\"  >\n\t\t<div class=\"col-inner\"  >\n\t\t\t\n\t\t\t\n<p>Paul Gachet, m\u00e9dico franc\u00eas, cuidou de van Gogh durante os \u00faltimos meses de vida. Seu respeito e admira\u00e7\u00e3o pelo artista levou-o a plantar uma \u00e1rvore de tuia (um pinheiro nativo do Hemisf\u00e9rio Norte) no t\u00famulo do pintor. Como a grande maioria dos verdadeiros artistas, van Gogh tinha uma grande sensibilidade e venera\u00e7\u00e3o pela natureza, e a tuia era uma das plantas que ele mais amava. Ironicamente, a tuia \u00e9 uma das fontes mais ricas em tuiona, e foi de uma \u00e1rvore de tuia que pela primeira vez se obteve a subst\u00e2ncia que provavelmente levou van Gogh \u00e0 loucura e \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio (por Suzana Ursi)<\/p>\n<p>O material apresentado acima pelo Prof. Salatino pode ser uma alternativa interessante para introduzir o tema `Drogas`, que \u00e9 ainda considerado, muitas vezes, um tabu. Utilizando-se o texto que aborda a quest\u00e3o relacionado-a com plantas, arte e artistas, o professor pode tratar sobre diferentes aspectos envolvendo as drogas a partir de informa\u00e7\u00f5es sobre uma subst\u00e2ncia diferente das mais populares atualmente. Essa pode ser uma boa estrat\u00e9gia para a sala de aula!<\/p>\n<p>Clique aqui para obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre `Cogumelos e plantas alucin\u00f3genas`<\/p>\n<p>Como citar este artigo: Salatino, Ant\u00f4nio (2018)<br \/>\nAbsinto: glamur, depend\u00eancia, loucura e morte. Site Bot\u00e2nica Online.<br \/>\nAcesso: dia\/m\u00eas\/ano.<br \/>\nDispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/botanicaonline.com.br\/site\/14\/pg6.asp&gt;.<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n\n\t\n<\/div>\n\t\t<\/div>\n\n\t\t\n<style scope=\"scope\">\n\n#section_1737624172 {\n  padding-top: 30px;\n  padding-bottom: 30px;\n}\n<\/style>\n\t<\/section>\n\t\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Ant\u00f4nio Salatino Ano: 2008 Vincent van Gogh, um dos mais geniais e conhecidos pintores de todos os tempos, tamb\u00e9m \u00e9 famoso devido a dois atos tresloucados: decepou uma das orelhas e se matou com um tiro. \u00c9 bem prov\u00e1vel que ele tivesse propens\u00f5es pr\u00f3prias a desvios da conduta normal. 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